Pesquisa Eleitoral
Como fazer pesquisa eleitoral em 2026: guia completo para campanhas
Metodologia, amostragem, registro no TSE e custos reais de uma pesquisa eleitoral em 2026. Tudo o que candidato e coordenador precisam saber.
Pesquisa eleitoral é o instrumento que transforma achismo em decisão. Em 2026, com eleições gerais para presidente, governador, senador e deputados, contratar uma pesquisa séria pode ser a diferença entre vencer e quebrar a campanha gastando errado. Este guia mostra como uma pesquisa eleitoral funciona, quando contratar, quanto custa e o que exigir do instituto.
O que é uma pesquisa eleitoral
Pesquisa eleitoral é um estudo estatístico que mede intenção de voto, rejeição, conhecimento dos candidatos, avaliação de governo e atributos de imagem em uma população definida (um município, uma região, um estado). Ela é regulada pela Lei 9.504/97 e pela Resolução TSE 23.732/2024 — toda pesquisa divulgada na imprensa precisa ser registrada no TSE até 5 dias antes da divulgação.
Existem dois tipos principais: a pesquisa quantitativa (números, percentuais, margem de erro) e a pesquisa qualitativa (grupos focais, entrevistas em profundidade). A maioria das campanhas usa as duas — quanti pra medir, quali pra entender o porquê.
Quando contratar a primeira pesquisa
Idealmente, a primeira pesquisa (chamada de 'pesquisa de cenário' ou 'baseline') deve ser feita entre 8 e 12 meses antes da eleição. Ela mede conhecimento e rejeição do pré-candidato, identifica adversários reais e desenha o cenário do município. Sem essa baseline, a campanha começa cega.
Depois disso, o ideal é uma pesquisa a cada 60-90 dias durante o ano pré-eleitoral, e quinzenal nos 60 dias finais da campanha (tracking). Cada onda mede o impacto das ações de comunicação, debates, ataques de adversários.
Metodologia: amostra, margem de erro e estratificação
O tamanho da amostra define a margem de erro. Para um município, uma amostra de 400 entrevistas tem margem de ±5 pontos percentuais (95% de confiança). Para 600 entrevistas, ±4 pp. Para 1000, ±3 pp. Estado inteiro normalmente usa 1.500-2.000 entrevistas.
A amostra precisa ser estratificada por sexo, idade, escolaridade, renda e zona (urbana/rural), seguindo proporção do Censo IBGE. Sem estratificação, o resultado é enviesado. Pesquisa por telefone (CATI), face a face e digital (WhatsApp/SMS) têm metodologias diferentes — cada uma com vieses próprios.
- Amostra mínima recomendada para município médio: 400 entrevistas (±5 pp)
- Estratificação obrigatória por sexo, idade, escolaridade, região
- Questionário deve ter perguntas espontâneas antes das estimuladas
- Pesquisa por telefone tem viés de classe; face a face é mais cara mas precisa
Registro no TSE: como funciona
Toda pesquisa eleitoral divulgada na imprensa precisa ser registrada no sistema PesqEle do TSE até 5 dias antes da divulgação. O registro custa em torno de R$ 50 (taxa do TSE) e exige envio do contrato, plano amostral, questionário, valor pago e fonte dos recursos. Não registrar é crime eleitoral.
Pesquisas internas (uso exclusivo da campanha, sem divulgação) NÃO precisam de registro. Por isso muitas campanhas contratam pesquisas internas para uso estratégico e só registram quando vão divulgar.
Quanto custa uma pesquisa eleitoral
O custo varia conforme metodologia, amostra e cidade. Faixas de mercado em 2026:
- Pesquisa quantitativa municipal (400 entrevistas, face a face): R$ 12.000 a R$ 25.000
- Pesquisa quantitativa estadual (1.500 entrevistas): R$ 60.000 a R$ 150.000
- Pesquisa qualitativa (4 grupos focais): R$ 18.000 a R$ 35.000
- Tracking semanal por 60 dias: R$ 80.000 a R$ 200.000
- Pesquisa digital (WhatsApp/SMS, 800-1500 respostas): R$ 4.000 a R$ 15.000 por onda
Como escolher um instituto de pesquisa
Os critérios essenciais: instituto registrado no CNPJ correto, histórico de pesquisas registradas no TSE (consulte o PesqEle), metodologia transparente (plano amostral aberto), entrega de banco de dados completo (não só relatório PDF), prazos realistas (pesquisa séria leva no mínimo 10-14 dias de campo).
Cuidado com 'institutos' que cobram muito barato e entregam em 3 dias — geralmente são pesquisas digitais mal estratificadas que não refletem a realidade. E cuidado com institutos que 'entregam o resultado que o candidato quer ouvir' — bajulação cara que custa a eleição.
Perguntas frequentes
Pesquisa interna precisa de registro no TSE?
Não. Apenas pesquisas divulgadas na imprensa precisam ser registradas no sistema PesqEle. Pesquisas para uso exclusivo da campanha podem ser feitas livremente.
Qual a diferença entre pesquisa e enquete?
Pesquisa tem metodologia estatística (amostra estratificada, margem de erro calculada). Enquete é amostra de conveniência (qualquer um responde) e não tem valor estatístico. Enquete não pode ser divulgada como pesquisa.
Quanto tempo demora uma pesquisa eleitoral?
Do briefing à entrega do relatório: 12 a 20 dias úteis. Campo (entrevistas) leva 5 a 10 dias, tabulação e análise mais 5 a 7 dias.
Posso usar WhatsApp para fazer pesquisa eleitoral?
Sim, pesquisas digitais via WhatsApp e SMS são válidas se a base for representativa e estratificada. São mais rápidas e baratas que face a face, mas exigem cuidado na construção da amostra.